Dando novas asas a Guarulhos

Revista Grandes Construções – 02 de agosto de 2013 – ed. 28 

Obras de ampliação do aeroporto internacional estão com 80% dos serviços concluídos, incluindo escavação, retirada do solo inservível e a totalidade do aterro em pedra que deverão ser entregues um ano antes do prazo

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Um trabalho de gestão muito bem elaborado foi a chave para que o Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército Brasileiro conseguisse a proeza de assegurar uma economia de R$ 130 milhões cerca de 30% em relação ao orçamento original e a provável redução de 15 meses para a conclusão das obras de ampliação do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).

O planejamento inicial, previsto no Termo de Cooperação celebrado entre a Infraero e o Exército Brasileiro, em maio de 2011, previa um orçamento de R$ 417 milhões e um prazo total para execução dos serviços de 28 meses. “Hoje, passados 12 meses desde o início da obra, 80% dos trabalhos terminaram, incluindo toda a escavação, a retirada do solo inservível e a totalidade do aterro em pedra”, conta o general do exército e chefe do Departamento de Engenharia e Construção, Joaquim Maia Brandão Júnior.

O planejamento prévio durou cerca de um ano e utilizou o software Arena para a simulação virtual da obra, todas suas interveniências e demandas, como número de equipamentos, etapas de execução, cálculos de produção, entre outros dados. O Coronel Engenheiro Marcelo Arantes Guedon, subcomandante do Destacamento Guarulhos, explica que a partir das indicações do software, coube a análise e decisão do grupo de planejamento. Por exemplo, o software indicou a realização de toda a terraplenagem para posteriormente a colocação das pedras. “Nós decidimos por realizar a colocação das pedras logo em seguida a terraplenagem para ajustar as etapas ao clima, pois um dos problemas da terraplenagem é a estação de chuvas. Atualmente, a obra está na última etapa, como a colocação da camada de argila”.

Desafios e superações 

O Exército foi responsável pela preparação do edital de licitação, pelo planejamento da obra e atua na fiscalização e gerenciamento. As empresas vencedoras da licitação foram a Paupedra, para fornecimento de pedras, e a ETC – Empreendimentos e Tecnologia em Construções, e a SA Paulista, responsável pelos trabalhos de terraplenagem. A licitação foi realizada em forma de pregões e o edital, produzido pelo Exército, contemplou todas as atividades específicas a serem realizadas pelas empresas.

O plano diretor de ampliação do aeroporto passou por algumas alterações até chegar ao projeto atual. Em principio, ele deveria atender 12 milhões de passageiros (ante os 7,5 milhões atuais), mas, com a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016, a demanda foi novamente reestruturada passando para 20 milhões de passageiros/ano.

O general Brandão Junior conta que estava claro que a incumbência não seria fácil de ser realizada, pois as obras de ampliação da capacidade do aeroporto não se limitavam à construção dos novos terminais de passageiros TPS 3 e do TPS 4. O gargalo passava pela construção de um pátio capaz de estacionar as aeronaves que permanecerão em solo, de um edifício-garagem para 4,5 mil veículos e da remodelação do sistema viário interno.

Segundo o general, um dos grandes desafios era a logística, pois o projeto de engenharia previa a substituição de aproximadamente 2.000.000 m3 de um solo de baixa capacidade de suporte por um aterrro compactado, formado por cerca de 1.300 m3 de pedras, que atua como maciço drenante. Essa operação exigiu a movimentação do equivalente a 400.000 viagens de caminhões, entre a retirada do solo e a deposição das pedras, com distâncias de transporte de até 35 km, concorrendo com o tráfego intenso da grande São Paulo, onde o aeroporto está inserido.

O solo mole precisou ser retirado a uma profundidade de até seis metros. Enquanto o solo retirado foi encaminhado para bota-foras a cerca de 25 km distante de Guarulhos, o solo que seria colocado no local foi transportado de regiões em torno de 35 km distantes. Em alguns momentos, havia mais de 1000 caminhões circulando na obra.

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Assim, foi criado um sistema de gestão dos veículos por trecho de obra executada, a fim de evitar a fila de caminhões, além de procurar reduzir os impactos do tráfego deles na região.

Para enfrentar tamanho desafio, em maio de 2011, o DEC mobilizou um destacamento avançado – o Destacamento Guarulhos – composto por 120 militares selecionados a dedo em mais de 30 Organizações Militares da Engenharia do Exército, de todas as regiões do Brasil, para supervisionar e conduzir a execução dos serviços de engenharia. “Antes de começarmos os trabalhos, porém, fizemos um estudo muito bem elaborado, analisando todos os pontos, fazendo simulações e resolvendo os possíveis problemas, estudando os prazos, recursos disponíveis, etc.”, recorda o oficial. Segundo ele, além dos militares designados para compor a força de trabalho, foram contratadas três empresas (uma para executar a terraplenagem e duas para fornecimento de materiais), através de licitação pública, que comprovaram possuir habilitação técnica e que estão realizando os serviços de engenharia.

Atualmente, parte da área está recebendo o volume de 400 mil m3 de terraplenagem com solo argiloso, última camada de solo. Mas cada trecho requer fiscalizações e testes de ensaio, realizados no próprio canteiro pelo laboratório montado pelo Exército.

Segundo o coronel Guedon, apesar de não consistir em uma obra complexa do ponto de vista técnico, a atuação do Exército Brasileiro na obra do aeroporto de Guarulhos foi importante por tratar-se de um empreendimento em área urbana, diferenciando-se das demais participações do Exército até aqui. “Para nós foi um grande desafio e aprendizado, tanto pelos volumes aqui alcançados, como pela dinâmica da obra, em área urbana, além do nível de qualidade exigida em cada uma das etapas”, destacou.

Os trabalhos de terraplenagem deixaram intacta a área em que será erguido o futuro terminal, mas contemplaram o trecho relativo a 50% do pátio do Quarto Terminal. A construção do terminal ficará a cargo da concessionária Invepar, empresa que venceu o leilão de concessão do Aeroporto de Guarulhos. A empresa anunciou que começará as obras do terceiro terminal de Cumbica entre agosto e setembro deste ano. De acordo com Gustavo Rocha presidente da empresa, serão investidos entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões nos próximos 20 anos, mas, os maiores valores serão investidos logo nos oito primeiros anos de concessão. “Este novo terminal terá capacidade para 12 milhões de passageiros por ano e ficará pronto antes da Copa de Mundo”, informou Rocha. Além do terminal, a empresa decidiu construir no aeroporto um estacionamento para 10 mil vagas, que não estava previsto no contrato de concessão.

Atuação em mais de 60 obras 

Além das intervenções no Aeroporto de Guarulhos, o DEC está envolvido em mais de 60 obras de infraestrutura em todo o País, tendo executado quase 20 mil km de rodovias, quase 6 mil km de ferrovias, 58.310 metros de pontes e viadutos, 52.043 metros de túneis, 2.000 km de linhas telegráficas, 1.369 poços, 10.035 unidades de ensino e casas populares, 59 unidades de aquartelamentos, 1.114 açudes e barragens, três portos e 55.576 m de canais adutores.

“Atualmente, o DEC trabalha na duplicação da BR 101/NE, construção de cinco pontes na BR 163/PA, recuperação da BR 307/AM, obras da transposição e revitalização de 6.050 m da margem do rio São Francisco, recuperação, entre outras”, diz o general.

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Brandão Junior destacou a importância da parceria do Exército com o Instituto Opus, “braço” da Sobratema voltado para a formação e capacitação de mão de obra. “O Opus busca a excelência na formação de operadores e nosso objetivo é que todos os nossos profissionais sejam certificados pelo instituto. Em 2011, formamos 262 operadores. O mercado está muito aquecido e precisamos formar cada vez mais mão de obra para a área de manutenção de máquinas e equipamentos”, complementa.

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